Profissionais negras sofrem com desigualdade no combate à pandemia

Além dos desafios enfrentados diariamente por quem trabalha no combate à Covid-19, profissionais de saúde negros, principalmente mulheres, também têm enfrentado desigualdades de raça e de gênero no desempenho de suas atividades.

De acordo com estudo conduzido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), 78% das mulheres negras se sentem despreparadas a para lidar com a pandemia. Sem o recorte de raça, o número cai para 72% das mulheres e 61% dos homens.

A presidente do SINDESC-PR, Isabel Cristina Gonçalves, aponta que os dados são o reflexo de qual o grupo social tem sido subvalorizado e recebe menos treinamentos, informações e recursos.

O levantamento aponta, inclusive, a falta de testagem e entrega de equipamentos adequados entre profissionais negros. Participaram da pesquisa médicos, enfermeiros, agentes de saúde comunitária e fisioterapeutas, entre outros.

Enquanto 57% dos homens brancos dizem ter recebido equipamentos regularmente, somente 38% dos homens negros receberam. Já 43% dos homens brancos indicam ter sido submetidos a treinamentos, contra somente 20% das mulheres negras. No que diz respeito à testagem, 22% dos homens brancos afirmam ser testados cotidianamente, enquanto apenas 11% das mulheres negras são.

A pesquisa mostra que a desigualdade continua no ambiente doméstico: mais da metade das mulheres afirmam se dedicar mais de 14 horas por semana às atividades de casa, contra 39% dos homens.

Como resultado de todo o combo de opressões e explorações, as mulheres são as que mais têm a saúde mental atingida por conta da pandemia: 83% afirmam ter sofrido emocionalmente, em oposição a 67% dos homens.

Isabel afirma que o combate ao racismo e ao machismo é essencial para a superação do quadro. “Respeito e condições iguais para a atuação são o mínimo”, aponta.

Fonte: SINDESC

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