Profissionais da Saúde necessitam de rede de apoio psicossocial

Com jornadas longas e desgastantes física e emocionalmente, o trabalho dos profissionais da Saúde sempre apresentou altos riscos de sofrimento mental e adoecimento psíquico. Com a pandemia, a situação se agravou bastante, ressaltando a importância das redes de apoio psicossocial para estes trabalhadores e trabalhadoras tão essenciais.

Comprovando o sucesso da campanha nacional de vacinação, por mais que o Bolsonaro a tenha sabotado o quanto pôde, dados do Conselho Federal de Enfermagem (Confen) indicam que em setembro foram registradas apenas duas mortes por Covid-19 entre profissionais da Enfermagem no Brasil.

Isso indica que, finalmente, o controle da pandemia está no horizonte. No entanto, a preocupação com a saúde mental da população em geral, e dos profissionais da Saúde em específico, permanecerá e precisará ser alvo de políticas públicas e atenção de toda a sociedade.

 

Maioria teve problemas de saúde mental durante a pandemia

De acordo com pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), que ouviu 10.329 profissionais da categoria, 62,1% dos profissionais de enfermagem passaram por algum tipo de sofrimento mental relacionado ao trabalho durante a pandemia.

70,2% destes apresentaram sintomas físicos, como fraqueza, tonturas, dores, problemas respiratórios, esgotamento físico ou cansaço, enquanto 64,5% tiveram sintomas emocionais, como medo, sentimento de culpa, pânico, esgotamento mental ou pensamentos ruins.

Para 71,4% dos profissionais entrevistados, os sintomas estão relacionados à sobrecarga de trabalho. 40,1% queixaram-se de condições de trabalho, 38,4% da ausência de local para descanso e 28,5% de agressões verbais.

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicou um total de 1.292 óbitos entre profissionais da Saúde entre abril de 2020 e março de 2021, e que apenas 53,8% da categoria recebeu treinamento para o uso de equipamentos de proteção.

Já a carga horária média de trabalho entre os profissionais da Saúde ficou em torno de exaustivas 60 horas semanais durante a pandemia.

 

Recomendações

O projeto “Linha de cuidado em saúde mental”, da Secretaria da Saúde do Estado do Paraná (SESA-PR), desenvolveu um documento intitulado “10 passos para o cuidado à saúde mental dos trabalhadores da Saúde em tempos de pandemia”.

O material sugere recomendações como a divulgação ampliada de cuidados psicossociais entre gestores e equipes de saúde e o estabelecimento de estratégias para minimizar o estresse vivido no cotidiano de trabalho – como, por exemplo, melhorar a motivação e a valorização dos profissionais e também organizar espaços acolhedores de convivência e descanso.

Estratégias de cuidado mútuo e solidariedade entre trabalhadores e atividades de educação permanente também são destacadas, assim como a importância de fomentar serviços de saúde que acolham trabalhadores do setor e compreendam o ambiente de trabalho como fator importante no equilíbrio emocional dos profissionais.

O documento recomenda também o desenvolvimento de ações preventivas constantes para minimizar os quadros de adoecimento mental não apenas no curto, mas principalmente no médio e longo prazos.

Para isso, é preciso que as instituições atentem e atuem a partir de sinais e sintomas que indiquem fadiga laboral, síndrome de esgotamento profissional (“burnout”), estresse laboral e assédio moral, investindo em medidas que deem suporte psicossocial aos profissionais que estão apresentando dificuldades e sofrimento em suas rotinas.

Profissionais da Saúde fizeram e fazem muito por todos nós durante a pandemia, é preciso que toda a sociedade se atente para valorizá-los e cuidá-los!

Fonte: SINDESC

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