Pesquisa explicita desigualdades raciais e de gênero na pandemia

O racismo estrutural brasileiro é comprovado por diversos indicadores, entre eles os que também ressaltam as condições ainda mais difíceis enfrentadas pelas mulheres negras.

Os números têm comprovado essa realidade também no caso da pandemia, com as mulheres negras liderando os índices de mortalidade por covid-19 no Brasil, independentemente de suas ocupações.

Os resultados estão em uma pesquisa realizada pela Rede de Pesquisa Solidária, que avaliou também os diferentes índices de mortalidade entre as profissões, apontando maiores taxas proporcionais de mortes entre líderes religiosos e profissionais da saúde, das artes e da cultura em 2020.

 

Desigualdades de raça…

O estudo deixa bem explícitas as desigualdades tanto raciais quanto de gênero em nosso país, uma vez que indica uma maior mortalidade entre homens negros, em comparação aos brancos, e ainda maior entre as mulheres negras, em comparação tanto a mulheres brancas quanto a homens, brancos e negros.

Utilizando como fonte os dados de 2020 do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, a pesquisa identificou que 13,2% das mortes registradas no período foram causadas pela Covid-19 e suas complicações – um total de 206.646 óbitos.

Como a análise dos dados relativos a essas mortes fez também um recorte por profissões, é possível identificar ainda mais as desigualdades raciais e de gênero, uma vez que dentro das mesmas ocupações há diferenças que evidenciam a desigualdade estrutural de nosso país nesses aspectos, tantas vezes ignorados ou negados pelo governo Bolsonaro e seus apoiadores extremistas.

Os dados explicitam que homens negros morrem mais que os brancos em todas as ocupações, exceto entre os trabalhadores agrícolas.

Segundo os pesquisadores, isso se explica sobretudo por dois fatores: por conta do racismo estrutural, negros tendem a ter inserção mais precária no mercado de trabalho, mesmo que exercendo as mesmas profissões. Isso implica em condições mais vulneráveis de exposição à Covid-19.

Além disso, homens negros estão comprovadamente expostos a fatores sociais que prejudicam suas condições de saúde, como acesso a moradia, água e alimentação saudável, e também registram menos acesso aos serviços de saúde.

 

… e gênero

Além das desigualdades raciais, a pesquisa também traz importantes apontamentos sobre a questão de gênero em nosso país, indicando como as mulheres negras encaram desigualdades combinadas em seu dia a dia.

Um dado, inicialmente, poderia apontar outro caminho, afinal aponta que há pouca diferença proporcional entre as mortes de mulheres negras e homens brancos em profissões mais bem remuneradas.

Mas isso, na verdade, também é um indicador do preconceito racial, afinal dados e a literatura especializada comprovam que as mulheres negras são muito subrepresentadas no topo da estrutura do mercado de trabalho, o que leva a esse tipo de distorção.

Outros dados comprovam essa interpretação, sustentando as evidências de racismo estrutural.

As mulheres negras têm mortalidade maior em praticamente todas as ocupações em comparação tanto aos homens brancos quanto às mulheres brancas.

Realizadora da pesquisa, a Rede de Pesquisa Solidária tem cerca de 100 pesquisadores de Humanas, Exatas e Biológicas, do Brasil e do exterior, e trabalha com investigações que ajudem o poder público a melhorar suas políticas e estratégias.

 

Fonte: SINDESC

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