Pesquisa confirma que mortes de profissionais da Saúde são subnotificadas

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmou que a mortalidade entre os profissionais da saúde foi de fato subnotificada durante a pandemia, como trabalhadores, entidades sindicais e especialistas já haviam alertado.

A pesquisa, coordenada por Eleny Guimarães Teixeira, doutora em Clínica Médica pela UFRJ, e Maria Helena Machado, doutora em Sociologia pela UERJ, apontou que 622 médicos, 200 enfermeiros e 470 auxiliares e técnicos em enfermagem morreram em decorrência do Coronavírus entre abril de 2020 e março de 2021.

Esse total de 1.292 óbitos é bem superior ao inicialmente divulgado pelo Ministério da Saúde, que confirmava a morte de 470 profissionais nesse período.

 

Duplamente atingidos pela pandemia

Profissionais da saúde foram duplamente atingidos pela pandemia e pelo descaso governamental, sobretudo da gestão Bolsonaro. Como todos os brasileiros, foram afetados pelo negacionismo, pela falta de condições para o isolamento social e pela negligência criminosa do governo na compra de vacinas.

Além disso, por estarem expostos ao vírus na linha de frente, também sofreram com falta de equipamentos de proteção individuais e de capacitação profissional para lidar com uma doença nova e tão contagiosa.

As jornadas de trabalho excessivas e estressantes também contribuíram para adoecimento físico e mental e aumento do risco de morte para os trabalhadores e trabalhadoras da saúde.

Como demonstra o estudo da Fiocruz, apenas 53,8% dos profissionais receberam treinamento para o uso de equipamentos de proteção. Já a carga horária média de trabalho ficou em torno de 60 horas semanais.

Profissionais invisíveis

Além da subnotificação das mortes, a Fiocruz também está preocupada com o impacto da pandemia nos chamados “trabalhadores invisíveis” da Saúde. Pessoas que cumprem funções fundamentais como motoristas, vigilantes, sepultadores, assistentes de manutenção, cozinha e limpeza dos hospitais, e que tampouco são considerados nas políticas e estatísticas oficiais.

Para isso, está realizando uma pesquisa envolvendo 23 mil profissionais de 60 categorias, que respondem pela Internet a perguntas sobre suas condições de trabalho.

Fonte: SINDESC

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