Maioria dos profissionais de Enfermagem teve sofrimento mental na pandemia

Durante a pandemia, 62,1% dos profissionais de enfermagem passaram por algum tipo de sofrimento mental relacionado ao trabalho.

É o que indicam os dados de uma pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), que ouviu 10.329 trabalhadores da área.

Composta por enfermeiros, obstetrizes, técnicos e auxiliares de enfermagem, a categoria enfrenta más condições de trabalho e jornadas extenuantes, agravadas durante a pandemia de Covid-19.

 

Sintomas físicos e emocionais

Entre os entrevistados que afirmaram ter passado por sofrimento mental durante a pandemia, 70,2% apresentaram sintomas físicos, como fraqueza, tonturas, dores, problemas respiratórios, esgotamento físico ou cansaço.

Já 64,5% tiveram sintomas emocionais, como medo, sentimento de culpa, pânico, esgotamento mental ou pensamentos ruins.

O Brasil tem cerca de 2 milhões de profissionais de enfermagem, com mais da metade, 55%, atuando na rede pública. Do total, 89% são mulheres, que muitas vezes têm dupla ou tripla jornada.

 

Maioria sentiu sobrecarga de trabalho

Para 71,4% dos profissionais entrevistados, os sintomas estão relacionados à sobrecarga de trabalho. 40,1% queixaram-se de condições de trabalho, 38,4% da ausência de local para descanso e 28,5% de agressões verbais.

Mesmo com esses problemas, 52,7% não pedem ajuda, sendo que 41,8% destes por medo de julgamento ou de mudança de setor.

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicou um total de 1.292 óbitos entre profissionais da Saúde entre abril de 2020 e março de 2021.

Ainda de acordo com a Fiocruz, apenas 53,8% dos profissionais da Saúde receberam treinamento para o uso de equipamentos de proteção. Já a carga horária média de trabalho ficou em torno de 60 horas semanais durante a pandemia.

 

Luta continua

Em meio a tantas dificuldades, e também por conta delas, a luta dos trabalhadores da Saúde não pode parar – na verdade, ela se torna ainda mais importante. O SINDESC tem trabalhado dia e noite para mobilizar e defender a categoria, minimizando os impactos da pandemia em nossas vidas e saúde.

Além de se envolver nas diversas mobilizações que criticaram a gestão desgovernada e cruel da pandemia pelo Governo Federal, o SINDESC vem trabalhando com afinco pela valorização dos profissionais da Enfermagem, e pela garantia do piso salarial nacional da categoria, com jornada máxima de 30 horas semanais.

De acordo com a presidente do sindicato, Isabel Cristina Gonçalves, a luta pelas 30 horas semanais se dá, principalmente, em função das características do próprio trabalho, que é extenuante. Segundo ela, esta redução pode inclusive salvar vidas.

Algumas das batalhas já foram vitoriosas, como a luta contra o veto presidencial de Jair Bolsonaro às indenizações aos profissionais da Saúde afastados por conta da Covid-19.

O sindicato também permanece oferecendo, como fez durante toda a pandemia, serviços como assessoria jurídica e convênio para atendimento psicológico para seus filiados.

Fonte: SINDESC

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