A exploração das trabalhadoras da área do cuidado

Na forma em que nossa sociedade se organiza, desde o nascimento mulheres são levadas a crer que o cuidado com o outro é algo da “natureza feminina”. A negação de si em detrimento ao outro é algo valorizado e visto como um ato de amor, transformando-se, por vezes, em uma aspiração pessoal, ou a única oportunidade possível.

O trabalho reprodutivo, ou seja, de manutenção da vida (cuidar dos doentes, cozinhar, limpar etc.), é fundamental para gerar novos sujeitos sociais e futuros trabalhadores. Porém, como é visto como algo que é “feito por amor”, o trabalho de cuidado, mesmo remunerado, sofre com os baixíssimos salários. Essa estrutura é imprescindível para que mulheres sejam inferiorizadas e poderosos consigam acumular mais capital.

No cenário atual, com a emergência da crise sanitária da Covid-19, que há quase dois anos assola o mundo, a situação tem se agravado e aumentado o nível de exploração das trabalhadoras. Isso ocorre porque 85,2% dos profissionais de enfermagem no Brasil são mulheres, em sua maior parte advindas de classes populares.

Além das demandas que têm em suas próprias casas, enfermeiras, técnicas, parteiras, cozinheiras e profissionais de limpeza das unidades de saúde e dos hospitais lidam com a sobrecarga nos atendimentos, jornadas de trabalho extenuantes e os perigos da Covid-19.

O machismo piora a situação

Simultaneamente aos problemas, a gestão do atual presidente, Jair Bolsonaro – junto a deputados e senadores alinhados ao Governo Federal – promove ataques sistemáticos à área da Saúde no Brasil e chegou a vetar a indenização de R$ 50 mil a profissionais de saúde vitimados pela Covid-19. O veto foi derrubado em abril deste ano pelo Congresso Nacional. A base governista também atua para barrar a aprovação do PL 2.564/2020, que estabelece o Piso Nacional da enfermagem e a jornada de 30 horas semanais.

Vale lembrar ainda que o próprio presidente esbanjou machismo em diversas ocasiões, inclusive dizendo que mulheres devem ganhar salários mais baixos do que os homens porque elas engravidam e afirmou que vetaria o projeto de lei que aumenta a punição para empresas que não aplicassem salários iguais às mulheres.

Junto a isso, sobreviventes à Covid-19 constituem um novo campo de pessoas que precisam de atenção no processo de reabilitação. Devido ao que ficou conhecido como “Covid longa”, milhões de pessoas sofrem com sequelas da doença.

O cenário cria um paradoxo de exploração. Trabalhadoras que sofrem com o trabalho precarizado e baixos salários, também precisam lidar com o cuidado de familiares, uma vez que a rede de atenção à população vai sendo cada vez mais sucateada no cenário de privatizações que estamos vivenciando.

Desta forma, se torna urgente repensar como as trabalhadoras do cuidado estão sendo vistas nesse processo.

O SINDESC segue em defesa dos direitos das trabalhadoras, reivindicando a valorização do trabalho de enfermagem, parto, limpeza, cozinha e muitos outros que são desempenhados nos espaços de saúde.

O nosso sindicato também está a disposição para ouvir e acolher as trabalhadoras.  Você pode entrar em contato conosco pelo e-mail sindesc@sindescsaude.com.br ou pelo telefone (41) 3222-8512.

Fonte: SINDESC

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