Quase 58% das negociações coletivas em 2020 terminaram sem reajuste ou abaixo da inflação

A crise que vem arrastando a economia do Brasil desde 2016 – quando Michel Temer assumiu a Presidência – e os efeitos da pandemia do novo Coronavírus estão impactando diretamente nas negociações salariais.

O Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma das riquezas produzidas no Brasil, vem apresentando péssimos resultados: 3,3 (2016), 1,3% (2017), 1,3% (2018) e 1,1% (2019).

O PIB do primeiro ano do governo Bolsonaro (2019) já foi menor do que os dois anos anteriores do governo Temer. Segundo economistas, a estimativa é que 2020 feche com o pior resultado de todos os tempos, desde que o IBGE passou a fazer a contagem, em 1947.

O problema é que os patrões estão transferindo os efeitos da crise (que eles mesmos criaram) para os trabalhadores.

Neste ano, quase 57% das negociações coletivas terminaram sem qualquer tipo de reajuste ou com reajustes abaixo de inflação:

 

  • 39% dos Acordos (ACT) e das Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) tiveram ZERO reajuste, ou seja, foram completamente corroídos pela inflação.
  • 17,6% ficara abaixo da inflação e não conseguiram manter o mesmo poder de compra dos trabalhadores.
  • 16,4% foram fechados com o mesmo índice de inflação, sem resultar em perdas salariais. É o caso dos trabalhadores dos Correios (após uma greve que durou 45 dias, com corte salarial da metade do período) e dos mais de 187 mil metalúrgicos de São Paulo, por exemplo.

 

Nos últimos anos, conquistamos mais de 33% de aumento real

Além de trabalhar no dia a dia para proteger os direitos dos trabalhadores, buscando na Justiça (onde obtivemos inúmeras vitórias), impedindo abusos, assédio e irregularidades nos locais de trabalho, também lutamos para que nossa categoria fosse sempre valorizada.

Nos últimos 10 anos, a classe trabalhadora brasileira viu a sua média salarial cair (ou seja, a maior parte dos brasileiros que atuam na inciativa privada perdeu poder de compra em relação à inflação).

Já o SINDESC, com uma atuação séria e comprometida, conquistou aumento real de mais de 33% no piso da categoria. Isso significa que nossas vitórias geraram ganhos reais acima da inflação, com quase 1/3 a mais no poder de compra (nem de longe era o que os patrões desejavam).

Temos nos empenhado muito para reduzir o impacto da discrepância que foi gerada pelos patrões quando eles criaram carreiras distintas dentro da Enfermagem (coisa que praticamente só existe no Brasil).

 

Patronal tentou IMPOR REAJUSTE ZERO em 2020

Durante todo o período de negociação neste ano, que começou lá em maio, o SINDESC lutou para impedir que os representantes patronais impusessem o REAJUSTE ZERO e a retirada de outras cláusulas importantes da nossa Convenção.

Tivemos muito empenho para impedir a perda de renda e de empregos da nossa categoria. Levamos a negociação até o limite. Foi necessária a mediação do Ministério Público do Trabalho (MPT-PR) e, como último recurso diante da intransigência patronal, tivemos que ajuizar nossa negociação na Justiça do Trabalho.

Lá, os representantes patronais mantiveram a postura inaceitável, recusando-se a valorizar os trabalhadores que vêm arriscando a própria vida para salvar a vida da população.

Usando o argumento de que a pandemia impactou os serviços de saúde, com a suspensão de procedimentos eletivos, cirurgias, consultas e atendimentos, eles pretendiam transferir os supostos prejuízos para os trabalhadores. O SINDESC não permitiu.

Nossa proposta sempre foi no sentido contrário: os trabalhadores deveriam ser valorizados, com reajustes acima da inflação, com ganho real.

Mas a Justiça do Trabalho firmou a proposta de reposição da inflação e determinou que apresentássemos para a nossa categoria, em assembleias nos principais hospitais.

Por isso, realizamos 24 assembleias com a base, algumas delas com centenas de trabalhadores para que a decisão fosse ampla e democrática. Ao final, quase 80% dos votos foram favoráveis à proposta determinada pela Justiça.

Além disso, com muita luta, conseguimos manter a data-base em maio, quando iniciaremos novamente as negociações.

 

Fonte: Sindesc

Posts recentes